São Paulo, 10/03/2013
Aqui
estou de volta a minha casa. Um pouco alcoolizado. Normal, depois de um
desses encontros em que você e a moça entendem que o melhor no final da
noite é cada um ir pra suas casas. Curioso é o fato de eu decidir
escrever após este episódio. Nunca escrevi nada na minha vida. Talvez
tenha começado a escrever agora apenas por devaneio alcoólico, ou por
guardar memórias e recorda-las depois de um tempo, para o ver
provavelmente o quão limitado e fraco eu sou, ou talvez estes escritos
sejam mais um dos meus projetos que eu deixo cair no esquecimento.
Apenas decidi isso durante a volta de metrô para o meu lar. Não sei se a
motivação é o encontro falho, se bem que este foi até legal em relação a
outros que tenham terminado de forma mais traumática que esse. Voltando
ao pós encontro, o que me resta então é pegar uma fila imensa de
supermercado tentando comprar pizza e um pouco de cerveja e whisky para aumentar a
sensação de dormência, e dormir "feliz", esperando o amanhecer de mais
uma semana que se inicia.
"God bless this land. God bless whisky"
E
por falar em início de semana, esta é a do meu aniversario. Amigos e
colegas de trabalho já começam a especular com aquela velha pergunta:
"onde será a comemoração?". Eu, sinceramente, nunca entendi essa de
comemorar aniversário. Comemorar o que? Mais um ano que se passa? Mais
um ano onde você não evoluiu quase nada, e que a sua situação
profissional, pessoal e emocional continua a mesma? Comemorar o fato que
já estou próximo dos 30 anos e ainda não constitui família. Não dei um
neto para os meus pais. Particularmente acho comemoração de aniversario o
cúmulo do narcisismo. "Olhem pra mim, me deem parabéns, afinal hoje é
meu aniversario!". Para mim, apenas um dia qualquer. Acordar cedo,
trabalhar, levar bronca do chefe, ir para o curso de idiomas a noite e
chegar tão cansado em casa, que é mais prático pegar uma cerveja da
geladeira e esperar a tal da dormência bater. E acredito que não é
apenas para mim esta rotina. Para todos nós, mas mesmo assim existem
pessoas que enxergam o lado bom de comemorar aniversario. Que bom,
parabéns aos otimistas. Para mim é mais um punhado de areia que cai na
ampulheta, indicando que o seu tempo para realizações está se
extinguindo.
Bom,
aqui estou, escrevendo com uma mão e uma garrafa de cerveja na outra.
Afinal, não se tem muito a fazer numa noite de domingo, se não tentar
relaxar e curtir uma boa embriaguez. Quem sabe na semana do meu
aniversário tudo muda? Eu sinceramente não acredito.
Diante
de um cenário tão pessimista, por assim dizer, me peguei pensando sobre
o tema "suicídio". Calma, não estou pensando em me matar, longe disso.
Para tomar uma atitude dessa você precisa ser ou muito covarde, ou muito
corajoso. É que semana passada, somente ouvimos sobre o suposto
suicídio do Chorão. Dai as pessoas perguntam como é possível um cara
famoso, bem sucedido e cheio da grana acabar com a própria vida. Eu acho
que a resposta é o futuro. Se você não tem esperanças de um futuro
melhor, entra em depressão e fica sujeito a atitudes extremas, não
importa o quão aparentemente bem de vida você esteja.
Quanto
a mim, ainda acredito no meu futuro. Venho me empenhando, tentando
emplacar um mestrado, estudo de idiomas, até aulas de danças, veja só!
Portanto acho que estou longe de ser um suicida depressivo. Complicado
também este estilo de vida, porque você apenas quer manter a
mente ocupada com diversas atividades. Sabemos que o ser humano tem
limitações quando trabalha no modo multiprocessado. Você é especialista
em uma atividade ou outra. Não pode ser especialista em tudo. Talvez
seja essa uma das minhas maiores decepções: não ser especialista. Em
nada. Apenas mediano. Isso me irrita profundamente, tirando meu sono
todos os dias. E talvez seja por isso que eu corra atrás de tantas
atividades, para quem sabe descobrir de fato em qual eu poderei me
tornar um verdadeiro especialista no assunto.
O
sono veio batendo à porta. A cerveja fez efeito. Espero escrever sobre
um dia melhor da próxima vez. Sendo sincero, tenho minhas duvidas.
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