terça-feira, 19 de março de 2013

Vamos ao trabalho...



São Paulo, 17/03/2013


Aqui estou, escrevendo após uma semana. Falta de inspiração? Talvez. O engraçado é que as palavras vêm apenas quando estou semi-embriagado ou muito cansado. Porém, por incrível que pareça, estou sóbrio e descansado. Talvez a inspiração seja o clima. Aparentemente está chegando o inverno: chuva fina, clima agradável e aquela vontade de ficar em casa...


O bom é que a semana está apenas começando. Ah... aquela vontade de trabalhar... Na verdade, ultimamente minha motivação para trabalhar é concluir as atividades indesejadas, na esperança que as próximas sejam interessantes. O principal problema é se não forem. O que devo fazer então? Não creio que seja questão da empresa em si. Gosto bastante de como a empresa é conduzida, e fora algumas ressalvas, não teria boas ideias para melhorar. A não ser optar por não trabalhar as 40 horas semanais.



"Mas se não for pra detonar, botar a casa abaixo, é melhor nem me chamar"



É complicado, pois no geral, nosso trabalho exige muita transpiração, experiência e dedicação. Mas por outro lado, chega um momento que a inspiração é imprescindível, e se não há algo que te motive e te inspire, fica difícil prosseguir.
Que tal mudar de profissão? É algo bem mais arriscado, pois é quebrar padrões, destruir sua representação interna do conhecimento, sua crença sobre o que é o mundo (desmoronar seu “castelo de legos”, como li recentemente), e começar tudo de novo. Poderia me tornar um matemático, um baixista, ou um filósofo. Poderia ser legal, hã?!


É um fato engraçado como todo mundo acha seu emprego o melhor. Pessoas postam em redes sociais o “orgulho em ser enfermeiro”, ou como é “padecer no paraíso” ser um fisioterapeuta, ou então a maravilha que é ser um matemático, a visão diferenciada de ser um programador. Será que no cotidiano estas pessoas realmente se sentem assim? Se não se sentem assim, qual a justificativa dessa propaganda enganosa?
Eu acho que vem da necessidade de autoconvencimento de que tomamos decisões corretas, que nossas profissões nos realizam e consequentemente somos felizes. Legal. Mesmo que isso tudo não seja verdade, é um bom mecanismo de defesa, do contrário ficaríamos todos loucos.


E você, é feliz profissionalmente, ou tenta se convencer que é?

domingo, 17 de março de 2013

Memórias




São Paulo, 10/03/2013

Aqui estou de volta a minha casa. Um pouco alcoolizado. Normal, depois de um desses encontros em que você e a moça entendem que o melhor no final da noite é cada um ir pra suas casas. Curioso é o fato de eu decidir escrever após este episódio. Nunca escrevi nada na minha vida. Talvez tenha começado a escrever agora apenas por devaneio alcoólico, ou por guardar memórias e recorda-las depois de um tempo, para o ver provavelmente o quão limitado e fraco eu sou, ou talvez estes escritos sejam mais um dos meus projetos que eu deixo cair no esquecimento. Apenas decidi isso durante a volta de metrô para o meu lar. Não sei se a motivação é o encontro falho, se bem que este foi até legal em relação a outros que tenham terminado de forma mais traumática que esse. Voltando ao pós encontro, o que me resta então é pegar uma fila imensa de supermercado tentando comprar pizza e um pouco de cerveja e whisky para aumentar a sensação de dormência, e dormir "feliz", esperando o amanhecer de mais uma semana que se inicia.

"God bless this land. God bless whisky"

E por falar em início de semana, esta é a do meu aniversario. Amigos e colegas de trabalho já começam a especular com aquela velha pergunta: "onde será a comemoração?". Eu, sinceramente, nunca entendi essa de comemorar aniversário. Comemorar o que? Mais um ano que se passa? Mais um ano onde você não evoluiu quase nada, e que a sua situação profissional, pessoal e emocional continua a mesma? Comemorar o fato que já estou próximo dos 30 anos e ainda não constitui família. Não dei um neto para os meus pais. Particularmente acho comemoração de aniversario o cúmulo do narcisismo. "Olhem pra mim, me deem parabéns, afinal hoje é meu aniversario!". Para mim, apenas um dia qualquer. Acordar cedo, trabalhar, levar bronca do chefe, ir para o curso de idiomas a noite e chegar tão cansado em casa, que é mais prático pegar uma cerveja da geladeira e esperar a tal da dormência bater. E acredito que não é apenas para mim esta rotina. Para todos nós, mas mesmo assim existem pessoas que enxergam o lado bom de comemorar aniversario. Que bom, parabéns aos otimistas. Para mim é mais um punhado de areia que cai na ampulheta, indicando que o seu tempo para realizações está se extinguindo.

Bom, aqui estou, escrevendo com uma mão e uma garrafa de cerveja na outra. Afinal, não se tem muito a fazer numa noite de domingo, se não tentar relaxar e curtir uma boa embriaguez. Quem sabe na semana do meu aniversário tudo muda? Eu sinceramente não acredito.

Diante de um cenário tão pessimista, por assim dizer, me peguei pensando sobre o tema "suicídio". Calma, não estou pensando em me matar, longe disso. Para tomar uma atitude dessa você precisa ser ou muito covarde, ou muito corajoso. É que semana passada, somente ouvimos sobre o suposto suicídio do Chorão. Dai as pessoas perguntam como é possível um cara famoso, bem sucedido e cheio da grana acabar com a própria vida. Eu acho que a resposta é o futuro. Se você não tem esperanças de um futuro melhor, entra em depressão e fica sujeito a atitudes extremas, não importa o quão aparentemente bem de vida você esteja.

Quanto a mim, ainda acredito no meu futuro. Venho me empenhando, tentando emplacar um mestrado, estudo de idiomas, até aulas de danças, veja só! Portanto acho que estou longe de ser um suicida depressivo. Complicado também este estilo de vida, porque você apenas quer manter a mente ocupada com diversas atividades. Sabemos que o ser humano tem limitações quando trabalha no modo multiprocessado. Você é especialista em uma atividade ou outra. Não pode ser especialista em tudo. Talvez seja essa uma das minhas maiores decepções: não ser especialista. Em nada. Apenas mediano. Isso me irrita profundamente, tirando meu sono todos os dias. E talvez seja por isso que eu corra atrás de tantas atividades, para quem sabe descobrir de fato em qual eu poderei me tornar um verdadeiro especialista no assunto.

O sono veio batendo à porta. A cerveja fez efeito. Espero escrever sobre um dia melhor da próxima vez. Sendo sincero, tenho minhas duvidas.